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Congresso não vê espaço para terceira via em eleições de 2022, diz Necton

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Congresso não vê espaço para terceira via em eleições de 2022, diz Necton

Em um cenário em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sejam candidatos à eleição presidencial em 2022, 54% dos líderes do Congresso apostam como baixa a possibilidade que um nome da terceira via chegue ao segundo turno, de acordo com a pesquisa Necton/Vector Barômetro Congresso Nacional.

Outros 37,5% acham que a chance de um candidato da terceira é média. E apenas 8% veem como alta. O levantamento da Necton/Vector é realizado no Congresso com líderes e vice-líderes dos partidos, totalizando 48 parlamentares.

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Para os parlamentares, os candidatos com mais potencial de se consolidarem como uma alternativa à polarização Lula  e Bolsonaria seriam Ciro Gomes (31,3%), o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (18,8%), o governador de São Paulo João Dória (16,7%)  e o senador Tasso Jereissati (16,7%).

“Deputados e senadores, como observadores privilegiados do jogo político, não acreditam na possibilidade de uma candidatura de terceira via que consiga interferir na polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o titular Jair Bolsonaro. Embora Ciro Gomes seja apresentado como tendo maior potencial para desafiá-los, suas chances de furar essa polarização ainda não são grandes, segundo os parlamentares”, diz o cientista político Leonardo Barreto, da Vector.

CPI da Covid-19

A pesquisa Necton/Vector também perguntou aos parlamentares sobre o potencial perigo da CPI da Covid-19, que investiga no Senado as ações do governo federal na pandemia, para o mandato do presidente Bolsonaro. Para quase 80% dos líderes ouvidos o possível impacto é baixo ou médio – patamar verificado, inclusive, entre parlamentares da oposição, que representam 42% da amostra.

“O sentimento generalizado é que a CPI não tem poder destrutivo algum. Vemos assim que o presidente conseguiu efetivamente se blindar de eventuais problemas mais sérios e que não há possibilidade concreta alguma no atual momento de um processo de impeachment por exemplo”, diz André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Os dados que medem a relação do presidente com o Congresso seguem estáveis, com nota média de 5,2, mesmo nível desde outubro do ano passado.  Isso não significa que o Planalto não esteja pressionado frente à população. Para Perfeito, o custo político se eleva em duas frentes.

“De um lado a pandemia tem cobrado alto na popularidade do presidente e pesquisas recentes feitas junto à população mostram que a rejeição ao presidente tem aumentado e sua popularidade tem caído”, diz Perfeito.

A pesquisa EXAME/IDEIA divulgada na sexta-feira, 11, mostra que a desaprovação de Bolsonaro segue em patamar recorde desde março: 49% dos brasileiros avaliam o governo do presidente como ruim ou péssimo.

Isso tem impacto na disposição do Congresso em relação à agenda econômica do governo: quase metade dos líderes do Congresso 49% discorda da agenda econômica do governo do presidente Bolsonaro.

O indicador mostra uma reversão da disposição dos parlamentares em relação as propostas do governo na economia: no último levantamento, em fevereiro, a fatia dos que discordavam era de 22,8% — agora é de 49,1%. Já os que que concordam com a pauta econômica de Bolsonaro, que representavam 70,4% em fevereiro, somam 45,2% em junho.

“Este é um custo difuso, afinal a classe política não gosta de se associar com um projeto que desagrade a população por motivos óbvios, mas estando ainda o pleito de 2022 muito longe este custo pode ser em alguma medida administrado, mas dificilmente agora poderá vir desta frente algum bônus para o Planalto.”

Reformas

No Congresso, a expectativa de avanço na agenda tributári é grande: 68% dos líderes no Congresso acreditam que a reforma tributária deve ser aprovada ainda neste ano, de acordo com a pesquisa Necton/Vector Barômetro Congresso Nacional. Já em relação à reforma administrativa, a percepção é oposta e 59% não acham que haja condições da pauta passar em 2021. 

“Há uma disposição inequívoca para a aprovação da reforma tributária ainda em 2021, mesmo na oposição, e uma predileção pela realização de um movimento mais amplo. Mas a ausência de uma proposta oficial do governo impede que o sentimento pró reforma se materialize na aprovação de uma lei”, diz Barreto, da Vector.

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