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Covid-19: USP vai investigar sistema imunológico de paciente reinfectada e levar caso à comunidade científica internacional

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Covid-19: USP vai investigar sistema imunológico de paciente reinfectada e levar caso à comunidade científica internacional


Objetivo é compreender o que tornou possível a reinfecção 50 dias após 1º teste positivo em Ribeirão Preto, SP. Estudo pode ajudar a produzir vacina mais eficiente, diz pesquisador. Técnica de enfermagem de 24 anos passará por bateria de exames após suspeita de reinfecção por Covid-19 em Ribeirão Preto
Luciano Tolentino/EPTV
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) informaram nesta quinta-feira (6) que vão investigar a fundo o sistema imunológico da técnica de enfermagem de Ribeirão Preto (SP) que testou positivo duas vezes para o coronavírus no intervalo de 50 dias.
O objetivo é compreender o que tornou possível a reinfecção no organismo da paciente, que não tem doenças crônicas, com esperança de que o estudo do caso dela possa ajudar até mesmo a produzir vacinas eficazes contra o coronavírus.
“Isso poderá auxiliar no desenho de uma vacina que não falhe e induza a imunidade persistente. Entender por que ela se expôs ao vírus e não se imunizou pode ajudar no planejamento de novas vacinas”, diz o infectologista Fernando Belíssimo.
Gabriela Carla da Silva, de 24 anos, testou positivo para Covid-19 em 13 de maio. Ela se recuperou dos sintomas da doença e voltou ao trabalho, até que, 38 dias depois, voltou a apresentar sintomas e foi diagnosticada pela segunda vez, em 2 de julho.
“Investigamos doenças que poderiam comprometer o sistema imune dela e tudo leva a crer que ela tenha uma saúde perfeita, mas, contra esse vírus, o sistema imune dela não reagiu da melhor maneira possível no primeiro contato”, explica o infectologista.
Infectologista da USP de Ribeirão Preto (SP) quer saber o que tornou possível reinfecção de paciente recuperada da Covid-19
Luciano Tolentino/EPTV
Repercussão internacional
Os próximos exames serão conduzidos em Ribeirão Preto, mas a pesquisa passará a ser acompanhada pela comunidade científica internacional, já que, até o momento, há registro de apenas outro caso semelhante ao de Gabriela, em Boston, nos Estados Unidos.
“É possível que existam outros que não tenham sido relatados e investigados. Não podemos dizer que é o segundo caso do mundo com certeza, mas é o segundo investigado e documentado”, afirma Belíssimo.
Os pesquisadores afirmam que, no próprio centro de pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, outros casos suspeitos de reinfecção já haviam sido investigados, mas as hipóteses foram descartadas.
“Não há motivo para pânico, porque muito provavelmente isso é extremamente raro. Se fosse comum, milhares ou milhões de casos teriam sido identificados pelo mundo, e isso não aconteceu”, diz o infectologista.
Reprodução em 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criada pela Visual Science. Dentro do verde mais claro, as bolinhas vermelhas representam o ‘centro’ do vírus, o genoma de RNA; as bolinhas verdes são proteínas ‘especiais’, que protegem esse material genético. Ao redor do verde, o vermelho mais fraco é a ‘casca’, feita de uma membrana retirada da célula hospedeira. O vermelho mais vivo são as proteínas ‘matrizes’ codificadas pelo vírus. As ‘pontas’ que saem do vírus são as ‘lanças de proteínas’, que o vírus usa para se conectar às células hospedeiras e infectá-las.
Reprodução/Visual Science
Primeira infecção
Segundo a pesquisa da USP, em 4 de maio Gabriela entrou em contato com um colega de trabalho infectado. Dois dias depois, começou a sentir mal-estar, febre, congestão nasal, dores de cabeça e de garganta.
No quarto dia após o surgimento dos sintomas, a técnica de enfermagem passou pelo exame RT-PCR, que identifica o Sars-Cov-2 no organismo por meio de materiais coletados no nariz e na garganta.
O resultado do primeiro teste, realizado em 8 de maio, foi negativo, mas, como os sintomas persistiram, a paciente repetiu o exame cinco dias depois, em 13 de maio, quando deu positivo.
Segunda infecção
Os sintomas desapareceram em dez dias e Gabriela pôde voltar ao trabalho. No entanto, 38 dias depois, em 27 de junho, a paciente apresentou sinais da doença novamente.
Além do mal-estar, da febre, das dores de cabeça e garganta, ela sentia dores musculares, cansaço, e havia perdido o paladar e o olfato. Ela também teve diarreia e tosse.
No quinto dia após o ressurgimento dos sintomas, em 2 de julho, Gabriela passou por um novo exame de RT-PCR e testou positivo. No mesmo período, dois familiares dela também apresentaram sintomas clínicos e foram diagnosticados com a doença.
A paciente não precisou ser internada ou respirar com ajuda de aparelhos. A segunda onda de sintomas desapareceu em 12 dias, mas, até esta quinta-feira, a jovem ainda se queixa de dor de cabeça.
Cronologia apresentada no estudo da USP de Ribeirão Preto (SP) que apontou reinfecção de paciente recuperada da Covid-19
USP/Reprodução
Caso raro
Apesar de apontar que casos de reinfecções são raros, os pesquisadores dizem que, ainda embora em algumas cidades, a curva de infecção da Covid-19 já tenha começado a cair, não é momento de afrouxar as medidas contra o vírus.
“Nada muda em termos de prevenção e controle da doença. Apenas reforça que as pessoas que já tiveram devem manter o uso de máscara e a higiene de mãos com álcool, porque, ainda que raro, [a reinfecção] é possível”, afirma Belíssimo.
De avental, máscara e face shield, Gabriela já voltou ao trabalho na Unidade Básica de Saúde (UBS) Ribeirão Verde, na zona Leste de Ribeirão Preto. Desta vez, ainda mais atenta às medidas de prevenção.
“É assustador, porque pegar a primeira vez traz uma segurança e você acaba negligenciando a higiene e até a observação dos sintomas”, conta. “Eu pretendo entender o que realmente aconteceu e ajudar na pesquisa a nível mundial.”
Paciente reinfectada pela Covid-19 quer ajudar em pesquisas na USP de Ribeirão Preto (SP)
Luciano Tolentino/EPTV
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