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Zoom ou Philip Morris? Damodaran, papa do valuation, dá nova aula

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Zoom ou Philip Morris? Damodaran, papa do valuation, dá nova aula

Aswath Damodaran, conhecido como o papa do valuation, deu nova aula para investidores novatos e experientes em painel promovido pela Poli Finance e divulgado nesta segunda-feira, 23 de agosto, no canal no YouTube da Liga de Mercado Financeiro da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Com seu habitual estilo direto ao ponto e com muito didatismo, o professor de finanças da Stern Business School da Universidade Nova York apontou um erro comum cometido por muitos investidores ao avaliar ações e empresas na bolsa.

Questionado no painel sobre como encontrar valor em empresas de crescimento, que muitas vezes não são lucrativas e apresentam fluxo de caixa negativo, Damodaran dividiu a sua resposta em duas partes.

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Na primeira, esclareceu que empresas muito jovens possuem fluxo de caixa negativo como um recurso, e não uma falha. Isso porque mesmo que a companhia esteja ganhando dinheiro, ele será reinvestido para obter crescimento futuro.

O economista lembrou que empresas que hoje valem mais de um trilhão de dólares — caso da Amazon — já deram prejuízo e operaram com fluxo de caixa negativo.

“Você poderia ter uma empresa com fluxo de caixa negativo com grande valor; e uma companhia com fluxo de caixa positivo que não vale tanto”, comparou.

Na segunda parte da resposta, Damodaran explicou a diferença entre valor e preço. “Eu falo uma coisa que deixa as pessoas loucas: ‘pelo preço certo, eu compro qualquer empresa’.”

Ele deu dois exemplos: uma empresa com alto crescimento e muito potencial, como o Zoom (de videoconferências).

“É uma empresa que decolou no ano passado porque todo mundo está no Zoom. Eu acho que é uma grande empresa com potencial imenso. Acho que o seu valor triplicou no ano passado. Mas eu não tocaria na ação. E sabe por quê? Porque o preço subiu dez vezes.”

“É uma grande companhia que está cara”, resumiu.

Em contraponto, Damodaram citou a Philip Morris (a gigante de cigarros). “É uma empresa entediante, que não vai bem. É uma empresa de tabaco, e as pessoas estão fumando menos. Mas o preço está abaixo do seu valor.”

“Não é uma grande história. A empresa tem crescimento negativo, os fluxos de caixa vão diminuir com o tempo. Mas está sendo negociada no preço certo.”

“Qualquer discussão sobre investimento deve incluir o preço na equação”, concluiu Damodaran.

O professor da Stern relatou que na comunidade do value investing, muitas pessoas dizem que o investidor precisa apenas encontrar boas empresas, que são bem-administradas. “Eu acho que é um péssimo conselho”, afirmou o professor.

E ele explicou: ao investir em empresas bem-administradas, que são reconhecidas como tal, o preço das ações está pressionado para cima. Por outro lado, as probabilidades de ganhos são maiores em empresas mal-administradas, das quais os investidores desistiram. “Você consegue o preço certo e espera que a gestão melhore.”

“É preciso separar a discussão do que faz empresas se tornarem excelentes do que faz investimentos se tornarem excelentes.”

O value investing é o nome dado à estratégia de investimento de encontrar ações descontadas, ou seja, negociadas abaixo do seu valor intrínseco, e esperar que atinjam o seu preço justo com os ajustes necessários.

Assista ao trecho do painel da Poli Finance com Damodaran em que ele trata do tema acima.